Crescimento

Seu crescimento inicial deu-se economicamente em função da mineração de ouro. Convém observar que as minas foram descobertas em 1590 por Afonso Sardinha, na atual região do Bairro dos Lavras, cujas antigas denominações eram Serra de Jaguamimbaba, Mantiqueira e Lavras-Velhas-do-Geraldo.

Segundo referências históricas disponíveis concluímos que
a atividade aurífera passou por momentos de exploração descontínuos chegando até meados do século XVIII.

De acordo com historiadores de Guarulhos, aquelas Lavras-Velhas-do-
Geraldo hoje podem ser vistas na margem direita da estrada que se dirige de Cumbica para Nazaré. A parte mais lavrada do terreno acha-se no ângulo formado pela estrada que ali se bifurca, um ramo em direção a Nazaré, e outro para Bonsucesso.

Houve pelo menos seis lavras em território guarulhense que se localizam em pontos diferentes de uma vasta área, compreendendo algumas dezenas de quilômetros quadrados, onde se acham os bairros de Lavras, Catas Velhas, Monjolo de Ferro (esta deve ter sido a chamada Lavras-Velhas-do-Geraldo), Campo dos Ouros, Bananal e Tanque Grande.

Entre os séculos XVII e XVIII verificam-se momentos de grande interesse por Guarulhos, haja visto a quantidade de número de ordens estabelecendo as sesmarias (responsáveis pela ocupação e assentamentos na época do Brasil Colônia) expedidas para a região. Os sesmeiros se dedicavam à agricultura e à mineração e, como atividade de apoio, criavam gado vacum e cavalar.

A mão-de-obra para o trabalho na mineração e na agricultura contou efetivamente com os índios e negros em regime de semi-escravidão, que existiu até meados do século passado. Em 1915, é efetivada a implantação do sistema ferroviário, com a inauguração do Ramal Guapyra – Guarulhos, o trem da Cantareira (Estrada de Ferro Sorocabana).

Foram cinco as estações em território guarulhense: Vila Galvão, Torres Tibagy, Gopoúva, Vila Augusta e Guarulhos, além do prolongamento até a Base Aérea, que se constituiu em fator preponderante para sua instalação. O início do século XX será marcado também pela chegada da energia elétrica, dos pedidos para instalação de rede telefônica, licenças para a implantação de indústrias de atividades comerciais e do serviço de transporte de passageiros.

Registra-se ainda uma preocupação com o desmatamento, poluição das águas, caça de pássaros, implantação de esgoto, abastecimento de água potável e a implantação de leis estipulando a construção de muros, proibindo cercas de arame nas ruas em que a Câmara definia para regularizar e assentar guias.

Os anos 30 são marcados pelos atos de
Intervenção Federal, Constituição da Junta Governativa de Guarulhos e pelo Movimento Constitucionalista, reflexos da Revolução de 30 – fim da República. Na década de 40 chegam ao município indústrias do setor elétrico, metalúrgico, plástico, alimentício, borracha, calçados, peças automotivas, relógios e couros.

Vários são os planos de loteamento e arruamento aprovados pela Câmara no decorrer dessa década, bem como se abre concorrência para calçamento e asfalto de várias ruas da cidade, o setor de obras da Prefeitura adquire máquinas, amplia-se o Paço Municipal e a iluminação das vias públicas.

O progresso iniciado nos anos 40 se estende até as próximas décadas, notando-se sempre a articulação e a vinculação do município à cidade de São Paulo, gerando assim sistemas de vida dependentes. Inicialmente, a relação se exerceu através da atual avenida Guarulhos, que representava o pólo de atração populacional, surgindo os bairros ao longo dessa ligação.

Além disso, com a inauguração da Via Dutra, em 1.952, ligando os dois pólos de desenvolvimento cultural e populacional mais importantes da Nação – de um lado São Paulo, no momento histórico de aceleração industrial, e de outro lado, o Rio de Janeiro, ainda Capital Federal e centro de decisões políticas e econômicas -, Guarulhos teve então o impulso necessário para o seu desenvolvimento.

Entre os imigrantes existentes no município destacam-se os portugueses, japoneses, espanhóis, italianos, alemães e libaneses. Dentre os migrantes estão os provenientes dos estados de Pernambuco, Minas Gerais e Bahia.